TCESP destaca importância da doação de sangue e papel do poder público na manutenção dos estoques


07/08/2026 – SÃO PAULO – Em entrevista ao programa Conexão Saúde, produzido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCESP), a médica Fernanda Vieira, responsável pelo serviço transfusional do Hospital do Coração (HCOR), reforçou a importância da doação de sangue como ato de saúde pública e apontou os principais desafios enfrentados pelos hemocentros brasileiros para manter os estoques em níveis seguros. O tema ganha relevância para gestores públicos, que têm papel central no incentivo à doação e na estruturação da rede de coleta. A íntegra está disponível para assistir neste link e no player ao final do texto.

Na entrevista concedida a jornalista Karyn Bravo, a especialista informou que o sangue é um recurso finito e sem substituto, o que torna a doação indispensável. O Brasil registra atualmente entre 1,8% e 1,9% da população doadora, abaixo do ideal de 3% recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mantendo os estoques permanentemente em estado de alerta.

A médica destacou que a doação brasileira ainda é majoritariamente de reposição — quando um familiar ou amigo precisa —, embora a cultura de doação espontânea venha crescendo. A falta de acesso a locais de coleta em diversas regiões também foi apontada como entrave.

Períodos críticos e quem mais depende
Feriados, férias escolares, frio, fim de ano e Carnaval são os períodos de maior queda nos estoques. Os pacientes que mais dependem de transfusão são os oncológicos (como casos de leucemia), os com anemia grave e os submetidos a cirurgias cardíacas de grande porte — realidade frequente no HCOR.

Uma única doação pode salvar até quatro vidas, pois o sangue é fracionado em hemácias (42 dias de validade), plaquetas (apenas 5 dias) e plasma (1 ano). Por isso, a doação precisa ser constante.

O papel do poder público
A especialista defendeu a melhoria do acesso aos hemocentros, a interligação entre as redes pública e privada — hoje há falta de sangue em um local e sobra em outro — e o investimento em campanhas e modernização de sistemas. A tecnologia foi citada como aliada na captação de doadores, e a vigilância do Ministério da Saúde garante a regulamentação da atividade.

Quem pode doar?
Podem doar pessoas de 16 a 69 anos (menores acompanhados de responsável), com peso acima de 50 kg e em boas condições de saúde. Homens podem doar a cada dois meses (até 4 vezes ao ano) e mulheres a cada três meses (até 3 vezes ao ano).